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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Mercedes E190 - 24H de Nurburgring




Por falar em 24H de Nurburgring, essas duas lindas Mercedes E190 também disputaram a prova. E isso faz essa ser uma das corridas mais maneiras da atualidade, onde os últimos lançamentos das fábricas correm ao lado de clássicos inesquecíveis que marcaram época como essas Mercedes. E elas não fizeram feio não, terminando a frente de muito carro mais novo, provando que apesar da idade ainda são muito competitivas.

O azul claro é bonito, mas para mim, o azul escuro é o mais maneiro, parece ser de um modelo mais novo. As rodas pretas e o body kit deram um visual incrível ao carro, e além do mais deve ser muito bom de pilotar.

Pescarolo Courage Peugeot


Pescarolo Courage C52 Peugeot, ano 2000, ótimo resultado em Le Mans.
Pescarolo Courage C60 Peugeot, ano 2001, o leão já em destaque no bico do carro.

No início dessa década, em 2000, o lendário ex-piloto de F1 e campeão de Le Mans, Henri Pescarolo, resolveu retornar as pistas como dirigente e criou uma equipe para disputar a LMS e principalmente as 24H de Le Mans, a Pescarolo Sports. Foi estabelecida uma parceria com a Peugeot para fornecimento dos motores 3.2L V6 turbo com 550HP, e o carro utilizado nesse primeiro ano foi um Courage C52, conhecido como Pescarolo Courage C52 Peugeot. A primeira experiência em Le Mans foi bastante animadora, com a 4ª posição na geral, atrás apenas dos três Audis R8 de fábrica.

No ano seguinte a equipe comprou o novo Courage C60, e surgiu então o Pescarolo Courage C60 Peugeot, com o mesmo motor V6 3.2L de 550HP. Mas essa mudança não surtiu os efeitos pretendidos, e dos dois carros inscritos só um completou a prova, e apenas na 13ª posição, o outro abandonou logo no início com problemas no motor. No entanto, como uma consolação, o carro venceu as duas primeiras corridas da equipe no FIA Sportscar Championship. As fotos acima são dos modelos de 2000 (#16) e 2001 (#17) respectivamente.



Pescarolo Courage C60 EVO Peugeot, ano 2002. Comemorando uma das vitórias no FIA.

Em 2002, Pescarolo contratou André de Cortanze para ajudar do desenvolvimento do carro (o mesmo engenheiro que projetou o Toyota GT-One e o Peugeot 905). Várias evoluções foram feitas, principalmente na aerodinâmica, mudando bastante o visual, que a meu ver ficou bem mais maneiro, ainda mais com a bela pintura verde claro. Passou a ser chamado então dePescarolo Courage C60 EVO Peugeot. O motor ainda era o mesmo V6 3.2L só que com um aumento para 580HP. Mesmo com mais duas vitórias no FIA Sportscar Championship, os resultados foram novamente bem abaixo do esperado, e o carro não conseguiu acompanhar o ritmo dos concorrentes mais fortes em Le Mans, tendo assim mais uma decepcionante participação e terminando em 10º lugar.

Em 2003, novas mudanças foram feitas no visual do carro e a equipe passou a contar com o apoio da Sony, que anunciava o Playstation 2. O Pescarolo Courage C60 EVO 03 Peugeot conquistou mais duas vitórias no campeonato da FIA, mas tiveram vários problemas nas outras corridas, e em Le Mans os dois carros terminaram em 8º e 9º lugares. No fim desse ano a Peugeot informou que não continuaria com a parceria e o fornecimento de motores, e a equipe passou por um tempo de dificuldades financeiras até a Sony informar que aumentaria os investimentos. Eles adquiriram então os motores Judd V10, mas aí é uma história pra outro dia, porque a idéia desse post é mostrar apenas os carros com a marca do leão, que como sabemos disputam a competição com equipe própria hoje em dia.

Andy Warhol - BMW M1 Art Car




Aproveitando que mostrei o Art Car que a BMW utilizou em Le Mans esse ano, vale mostrar essa imagem. É o exato momento em que Andy Warhol pintava a BMW M1 Art Car que correu em 1979, já mostrada nesse link, um belo registro. Naquela época foi tudo na mão com pincel, já o de hoje foi projetado no computador e provavelmente todo adesivado, outros tempos, mas duas ótimas iniciativas.

Spitting Fire: Audi R8




E o primeiro Spitting Fire do mês é desse Audi R8 correndo em Sebring no ano 2000. Bonita "cuspida" noturna realçada pelos discos acesos.

“O melhor carro de corrida da história”


Lemans/LetraDelta Editora e ComunicaçãoHá 40 anos, em 13 de março de 1969, a Porsche apresentou no Salão de Genebra um carro que, mesmo para os padrões atuais, fica muito além da simples classificação “supercarro esporte”: o Porsche 917, que se transformou em uma lenda por ser um dos carros de corrida mais rápidos e vitoriosos de todos os tempos.
A Porsche lançou o Projeto 917 em junho de 1968, depois que a FIA, autoridade máxima do automobilismo esportivo, anunciou a criação de uma classe de “carros esporte aprovados” com capacidade de até 5 litros e peso mínimo de 800 kg. Com a supervisão de Ferdinand Piëch, as 25 unidades planejadas (número mínimo exigido pela FIA para homologação) foram apresentadas em abril de 1969 para que o 917 pudesse começar sua carreira desportiva nesse mesmo ano. Ainda que o 917 tenha abandonado suas três primeiras corridas devido a problemas técnicos, a história de êxito começou em agosto de 1969, quando a dupla formada pelo suíço Jo Siffert e pelo alemão Kurt Ahrens venceu os 1000 Km da Áustria, em Österreichring.
A configuração do motor do 917 era tão incomum quanto as distintas versões de sua carroceria. Atrás do assento do piloto, ficava um motor de 12 cilindros horizontais refrigerado a ar, cujo virabrequim lhe outorgava um desenho em V de 180 graus. O motor de 520 cv tinha capacidade cúbica inicial de 4,5 litros. A estrutura tubular era de alumínio e a carroceria, de fibra de vidro sintética reforçada. Os engenheiros da Porsche desenvolveram distintos modelos de carroceria para satisfazer às distintas exigências das diversas pistas. O modelo denominado “cauda curta” (917K) foi desenhado para circuitos sinuosos, em que se exige maior pressão aerodinâmica para fazer as curvas à maior velocidade possível. O modelo de “cauda longa” (917 LH) foi desenhado para pistas de alta velocidade. Em seguida, chegaram os 917 com cabine aberta, como os 917/10 e 917/30 utilizados nos campeonatos Can-Am e Intersérie.
Ao término da temporada de 1970, a Porsche confirmou sua superioridade com os modelos 917 e 908/3 e ganhou o Campeonato Mundial de Marcas (na época, tão importante quanto o de Fórmula 1) vencendo nove das dez corridas válidas para pontuação. Esta série de vitórias começou na 24 Horas de Daytona e prosseguiu em Brands Hatch, Monza, Spa, Nürburgring (todas corridas de 1.000 Km), Targa Florio, 24 Horas de Le Mans, 6 Horas de Watkins Glen e 1.000 Km de Österreichring. O ponto culminante da temporada foi a 24 Horas de Le Mans, disputada em 13 e 14 de junho de 1970 – a primeira vitória da Porsche na classificação geral dessa corrida. Ao volante de um 917K número 23, pintado nas cores vermelho e branco da equipe Porsche Salzburg, Hans Herrmann/Richard Attwood superaram não apenas seus fortes concorrentes, mas também as fortes chuvas que caíram durante toda a prova.
Como no ano anterior, a temporada de 1971 foi dominada pelo modelo 917 e a Porsche venceu novamente o Campeonato Mundial de Marcas com oito vitórias em dez corridas. Novamente, um Porsche 917 saiu vitorioso na 24 Horas de Le Mans, desta vez com Gijs van Lennep/Helmut Marko. Eles estabeleceram dois recordes que permanecem até hoje: média horária da prova (222 km/h) e distância percorrida (5.335 km). Uma característica especial do 917 de cauda curta destes pilotos, que visualmente se caracteriza pela “aleta de tubarão” na traseira, era a estrutura tubular de magnésio. Um 917 de cauda longa estabeleceu outro recorde em 1971: o carro de Vic Elford/Gerard Larrousse registrou a velocidade máxima de 387 km/h no trecho reto de Mulsanne, que integra o traçado usado na 24 Horas de Le Mans. Outro carro dessa corrida obteve um reconhecimento inusitado: o 917/20, uma combinação dos modelos de “cauda curta” e “cauda longa”, notável por seu grande tamanho. Pilotado pelos alemães Willy Kauhsen/Reinhold Joest, abandonou na metade da corrida, mas a pouco habitual decoração cor-de-rosa valeu-lhe o apelido “Pig” (porco) e transformou-o em um dos carros de competição mais famosos da Porsche.
O regulamento do Mundial de Marcas foi alterado no final de 1971: os motores acima de 3 litros foram banidos. A Porsche decidiu então inscrever-se no Canadian American Challenge (Can-Am), outra categoria de grande repercussão no cenário automobilístico internacional da época. Em junho de 1972, a equipe privada Penske utilizou pela primeira vez o Porsche 917/10 com turbocompressor. Com redimento de até 1.000 cv, o 917/10 dominou o campeonato e obteve o título com vitórias nos circuitos de Road Atlanta, Mid Ohio, Elkhart Lake, Laguna Seca e Riverside. No ano seguinte, estreou o 917/30, ainda mais evoluído, com motor de 1.200 cv. A superioridade do carro pilotado por Mark Donohue era tão evidente que o regulamento técnico da Can-Am, até então praticamente sem limites para a criatividade dos engenheiros, foram modificados para impedir o 917/30 de competir na temporada de 1974. Como é característico da Porsche, as tecnologias desenvolvidas para conseguir um rendimento cada vez maior nestas corridas foram utilizadas com êxito nos carros esportivos de rua. Foi assim com o 911 Turbo e seu turbocompressor com escapamento lateral, lançado no mercado no final de 1974 e, desde esse momento, sinônimo de capacidade de rendimento dos carros esporte da Porsche.
A reputação do 917 é lendária. Cinquenta experts internacionais em automobilismo esportivo ouvidos pela revista britânica “Motor Sport” escolheram o 917 como “melhor carro de corrida da história”. No total, a Porsche fabricou 65 unidades, do 917: 44 com carroceria cupê com cauda curta e cauda longa, dois PA Spyder e 19 modelos de cabine aberta para os campeonatos Can-Am e Intersérie, com motores turbo de até 1.500 cv. Sete dos 917 mais importantes, entre eles os carros vitoriosos em Le Mans (1970 e 1971) e o 917/30, estão atualmente expostos no novo Museu Porsche em Stuttgart-Zuffenhausen.